Com o objetivo de apoiar os processos de formação dos docentes das diversas áreas do conhecimento e enriquecer suas práticas pedagógicas, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, criou oPortal do Professor, em 2008. Neste ambiente, educadores de todo o país podem conhecer as experiências que outros professores desenvolvem em sala de aula e também compartilhar suas propostas.
Carmem Prata, coordenadora do Portal do Professor, explica que os participantes do Multicurso Matemática têm muito a ganhar com esse espaço. “Eles podem interagir com educadores de outras partes do país para saber como estão ensinando a matemática nos seus estados. Ao compartilhar com os demais professores, aqueles que não tinham pensado em novas formas de lecionar passam a vislumbrar outras práticas de ensino”, afirma.
Um exemplo da capacidade de interatividade entre educadores é que, hoje, a seção “Espaço da Aula” apresenta mais de 900 sugestões de práticas para o ensino da matemática. Entre as experiências mais acessadas, figuram o ensino de função quadrática e o uso de histórias em quadrinhos com Tangram – quebra-cabeça chinês formado por 7 peças (5 triângulos, 1 quadrado e 1 paralelogramo).
O conteúdo disponibilizado no portal foi criteriosamente selecionado pela equipe do MEC. “Há uma preocupação maior do que fazer uma busca na internet. Temos feito muitas parcerias com universidades e órgãos de governo, entre outras instituições”, enfatiza Carmem.
O site do Multicurso Matemática já tem link para o Portal do Professor. O projeto foi pauta para matéria da edição mais recente do Jornal do Professor, produzido quinzenalmente. Na página do portal, também é possível acessar o site da Fundação Roberto Marinho.
Confira, abaixo, as principais seções do Portal do Professor:
Espaço da Aula: ambiente para os educadores criarem e compartilharem suas práticas.
Jornal do Professor: veículo quinzenal que aborda temas ligados à educação.
Recursos Educacionais: coleção de ferramentas multimídia de diversos formatos e funcionalidades.
Cursos e materiais: dicas para subsidiar a formação dos profissionais da educação.
Interação e colaboração: indicação de ferramentas da web 2.0 para os professores compartilharem conteúdos, informações e participarem de debates.
Links: indicação de sites e portais nacionais e internacionais para auxiliar a pesquisa e a formação dos educadores.
Resultado acima do esperado
As expectativas para o Portal do Professor vêm sendo superadas. Durante o primeiro ano no ar, a meta era contar com 1,5 mil aulas publicadas. “Sabíamos que não seria fácil, pois o professor teria que compartilhar as suas práticas, ou seja, contar como ele trabalha. Mas, em um ano e meio, foram mais de 5 mil aulas publicadas no portal”, comemora Carmem, acrescentando que 65 mil professores participam de fóruns.
Segundo a coordenadora, esses números mostram que os educadores estão abertos à incorporação de novas metodologias à sua atividade. “A ideia é que os professores possam incluir na sua prática a forma como os alunos acessam o conhecimento hoje, incentivando o interesse deles pela matemática, por exemplo”, aposta Carmem.
E, nesse contexto, o Portal do Professor pretende estimular ainda a participação dos docentes nas ferramentas interativas da web. “Pesquisas apontam o grande número de usuários no Brasil. Nossos alunos estão lá, mas nossos professores, não. E os educadores devem pensar nessas ferramentas para levar o conhecimento para o aluno”, opina.
Soluções para cada realidade
Carmem comenta que o educador não precisa dominar todas as formas de interação on-line. Contudo, ele deve conhecê-las para poder escolher as soluções que melhor se aplicam à sua realidade. “Selecionamos (na área “Colaboração e Interação”) as redes sociais existentes para o professor decidir qual é a ideal para usar na sua escola. Assim, eles criam intimidade com a ferramenta e podem prever o melhor uso com seus alunos”, afirma Carmem.
A coordenadora reforça que todas as transformações nas formas de interação implicam diretamente sobre o ensino. Com isso, o professor deve rever sua prática.
“Não se trata apenas de incluir a tecnologia na atividade tradicional, que é muito expositiva. Ele precisa desenvolver propostas para interagir com o aluno. Pelo Portal do Professor, ele pode absorver ideias e criar sua própria metodologia, de acordo com realidade de sua escola. E o ideal é que ele compartilhe essas práticas e deixe seus comentários nas propostas de outros professores. Afinal, a aprendizagem deve ser colaborativa”, conclui.
