Se aprender um novo assunto pode intimidar o estudante, relacionar este conhecimento a outros com os quais ele já está familiarizado pode estimular e enriquecer seu aprendizado. Esta é a ideia central dos Mapas Conceituais: roteiros de aprendizagem que relacionam e organizam os conceitos necessários para estudar um determinado tema.
Os mapas foram desenvolvidos pelo cientista norte-americano Joseph Novak, na década de 1970. Ele se baseou na teoria da aprendizagem significativa idealizada pelo pesquisador David Ausubel. O objetivo era criar um método capaz de facilitar o entendimento sobre como determinado assunto é organizado na estrutura cognitiva de seu autor.
Para identificar com clareza essas conexões, Novak desenhou os Mapas Conceituais como diagramas. Neles, conceitos de alcance geral são relacionados a outros mais específicos, evidenciando, assim, a construção de significados por cada pessoa.
Quando criou o método, Novak pretendia contrapor o processo de aprendizagem significativa dos mapas à velha prática da memorização de conteúdo. Suas pesquisas mostraram que os mapas eram mais eficazes por distribuir o conhecimento em uma linha do tempo contínua ou por relações, dando uma visão mais ampla do assunto.
Instrumento pedagógico
A utilização deste instrumento pedagógico está na origem do Multicurso Matemática: foi elaborado pela equipe do programa um mapa relacionando os conceitos fundamentais para a formação continuada de professores. Veja o mapa na Midiateca do Ambiente Virtual, na pasta Mapas Conceituais.
A coordenadora do Núcleo de Concepção Pedagógica da Teleducação da Fundação Roberto Marinho, Isa Lopes, explica que a concepção gráfica desses conceitos deve sempre respeitar uma hierarquia. “Mas não necessariamente por importância, e sim por qual conhecimento é necessário adquirir primeiro para seguir adiante no processo de aprendizado”, diz.
Segundo Isa Lopes, o grande trunfo dos Mapas Conceituais é que podem ser utilizados para organizar qualquer tipo de conhecimento. Ela cita como exemplo a fabricação de papel. “Podemos relacionar o papel ao plantio e manejo de árvores à produção de celulose etc. Não consigo pensar em nenhum assunto que não tenha relação com outros temas”, afirma.
No Ano II do Multicurso Matemática no Espírito Santo, os professores encontraram no Roteiro 6 um Mapa Conceitual que ajuda na reflexão sobre as finalidades da álgebra escolar, retratando as funções da álgebra. Já no Roteiro 9, os educadores deverão construir um Mapa Conceitual a partir de diferentes elementos gráficos disponibilizados na atividade. O objetivo é realizar conexões entre as diferentes áreas da matemática.
“Quanto mais mapas você fizer, melhor você organiza seu pensamento. Ao criar um mapa, você exercita competências como capacidade de análise, de síntese e de estabelecer relações e hierarquia entre os conceitos”, explica a coordenadora.
Segundo ela, o uso desse recurso permite uma compreensão mais ampla do assunto. “Estimula o pensamento e demonstra ao aluno que o conhecimento é mais abrangente do que nos é apresentado”, completa.
Estímulo à participação em sala
Luciana Gabriel, professora do 1º ano do E.M. da Escola Estadual Fioravante Caliman, em Venda Nova do Imigrante (ES), usa os mapas para conceber e estruturar suas lições.
“Eles são planos de aula simplificados, onde crio vínculos entre o que irei abordar de forma prática. Se aplicam bem à Geometria, que é uma matéria ampla e interdisciplinar. Na transformação de unidades, posso ligá-la à física. Já se eu questiono a origem dos teoremas, ela se liga à história”, exemplifica.
Em um dos encontros presenciais do Multicurso Matemática, ela e os demais integrantes do Grupo Matemágica montaram um Mapa Conceitual relacionando os conteúdos dos Roteiros de Estudo 3 a 6 do projeto. O exercício deu frutos e foi parar na classe de Sirlene Mazzocco, que leciona para o 2º ano do ensino médio na escola de Luciana.
“Ao introduzir um conteúdo novo, coloco palavras-chave no quadro e lanço perguntas aos alunos. Amarro as respostas deles até formar pequenas frases e atingir os conceitos mais importantes. São esquemas pequenos, mas construídos à medida que dialogo com a turma”, conta Sirlene.
Ela afirma que os estudantes parecem gostar deste formato: sempre pedem tempo extra para copiar os mapas do quadro e poder estudá-los em casa. Nas aulas de probabilidade e de conjuntos numéricos, o recurso é presença certa.
“Se meu objetivo é chegar aos conjuntos reais, começo pelas perguntas básicas: o que é um conjunto na vida real, onde eles existem? Trabalhando conceitos gerais como ‘união’ e ‘agrupamento’, vou me aproximando da matemática e passando às ideias de finito e infinito, números naturais, inteiros, racionais e irracionais, até os reais”, conclui a professora.
Mapas até para brincar
A coordenadora Isa Lopes lembra, ainda, exemplos de professores que fizeram mapas com os alunos em torno de brincadeiras infantis, como pular corda com ritmo, dar saltos e outras atividades físicas.
“Queremos incentivar este formato gráfico pra que eles possam visualizar conceitos implícitos em certos conteúdos matemáticos”, explica.
De acordo com uma enquete realizada no site do programa, dos 129 participantes que responderam a pergunta “Com que frequência você utiliza Mapas Conceituais para organizar suas aulas?”, cerca de 15% afirmaram utilizá-los frequentemente e outros 21% raramente – enquanto,34,9% afirmaram nunca ter usado o método e 28,7% afirmam não saber como usá-lo.. O resultado reflete a necessidade de os educadores conheceram melhor a ferramenta.
