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Matemática animada, interdisciplinar e digital

A abstração de certos conceitos matemáticos, apontada por gerações de estudantes como um dos motivos para a falta de identificação com a disciplina, parece estar com os dias contados. Planilhas e softwares interativos hoje nos permitem enxergar o mundo da matemática com mais clareza, movimento, cores e em três dimensões.

A forma como os professores travam contato com tais tecnologias, no entanto, é que vai determinar a eficácia de sua aplicação em sala de aula. Instigá-los a explorar os softwares para resolver situações-problema, aproveitando os resultados da própria investigação junto à turma, é um das linhas pedagógicas adotadas pelo Multicurso Matemática.

Estas ferramentas são apresentadas aos professores nas oficinas presenciais pelos tutores do programa, que partem da premissa de que é preciso “aprender usando”. Em vez de conduzirem um treinamento formal, com rotinas a serem repetidas até que se aprenda a operar o programa, a missão deles é apontar caminhos. E isto vale também para a sala de aula.

“Acreditamos que, assim, a aprendizagem é mais efetiva por ser também mais afetiva. Ela possui significado: aprendo porque preciso”, resume o tutor Alex Jordane.

Vantagem competitiva

Em muitos casos é possível incorporar questões de física e outras disciplinas à investigação matemática. Mas os benefícios não param por aí. “Ao estimularmos o manuseio de planilhas, ajudamos na formação dos estudantes para a entrada no mercado de trabalho, onde a presença deste aplicativo é maciça”, observa o tutor Rony Freitas.

Ele acrescenta que os softwares de Geometria Dinâmica, como Geogebra, CarMetal e DrGeo, permitem simulações empíricas, o que ajuda a generalizar conhecimentos e fazer demonstrações e induções sistematizadas.

O conceito de ângulo, considerado complexo por Alex, pode ser trabalhado com os alunos com o auxílio do software XLogo – disponível para download na Midiateca do Ambiente Virtual, assim como o Graph e o Cmap Tools. Este último vem sendo usado nas escolas para a construção de Mapas Conceituais – representações gráficas da relação entre conceitos-chave de determinada área do conhecimento.

Em Barra de São Francisco, no norte do Espírito Santo, a revisão de matérias para a prova do Enem 2009 foi o que motivou a professora Joana Dark, coordenadora do grupo Numerox, a usar o Geogebra pela primeira vez com seus alunos. “Fomos ao laboratório de informática estudar funções e equações de segundo grau. É muito mais prático ensinar geometria neste programa, por sua rapidez de gerar gráficos e demonstrar o círculo trigonométrico. À medida em que o aluno coloca as coordenadas da função, já visualiza o gráfico sendo desenhando, passo a passo”, argumenta a professora.

Embalada pelo sucesso da experiência, Joana levou o debate sobre o uso do Geogebra para os participantes do seu grupo. A ideia foi bem aceita. “É uma novidade para a maioria, que ainda não havia trabalhado com softwares matemáticos. Este ano, queremos usar programas diferentes e organizar uma exposição com os trabalhos dos alunos”, revela Joana.

Nativos e imigrantes

Antes de tudo, é preciso planejamento: não vale reproduzir, com recursos digitais, as mesmas aulas que se poderia dar fora do laboratório de informática. Saber quando interferir nos debates e devolver as perguntas aos alunos, questionando-os sempre, também é fundamental. É o que defendem Alex e Rony em artigo produzido para a Revista REDES, durante o Ano I do Multicurso Matemática (disponível na pasta Arquivos da Midiateca).

Mas de nada adianta se o professor não se considera um profissional em formação. É aí que, segundo os tutores, o choque cultural entre nativos e imigrantes digitais se torna inevitável.

“Esse é talvez o maior problema ao optarmos por usar tecnologias que não dominamos tanto quanto nossos alunos. Se o professor se assume como ‘aprendiz’ junto a eles, de acordo com as ideias de Paulo Freire, abre espaço para se aperfeiçoar e traz os estudantes para perto”, opina Alex, lembrando que os alunos mais habilidosos podem atuar como monitores.

Rony concorda com o colega. “O aluno vem com a sua ousadia em experimentar o novo e o professor, com a experiência e sua formação matemática. O caminho para dar certo é um diálogo igualitário em que ambos aprendem e ensinam”, diz o tutor.

Para além do uso social e, muitas vezes, irrestrito do acesso à internet pelas crianças e jovens, eles creem no valor do uso educacional da rede. E afirmam que este é um espaço ainda subestimado. “São várias possibilidades relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem”, acredita Rony.




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